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Estudantes de escola pública rural no interior de MG são os únicos finalistas do estado na Olimpíada Nacional de História do Brasil

Alunos de escola rural de Muriaé avançam à final da Olimpíada Nacional de História Ana Vitória Castro de Almeida, Eduardo Magno da Silva e Raíssa Vitóri...

Estudantes de escola pública rural no interior de MG são os únicos finalistas do estado na Olimpíada Nacional de História do Brasil
Estudantes de escola pública rural no interior de MG são os únicos finalistas do estado na Olimpíada Nacional de História do Brasil (Foto: Reprodução)

Alunos de escola rural de Muriaé avançam à final da Olimpíada Nacional de História Ana Vitória Castro de Almeida, Eduardo Magno da Silva e Raíssa Vitória da Fonseca, de 14 anos, representam a força de um ensino público que, mesmo com limitações estruturais, resiste, transforma e inspira. Alunos do 9º ano da Escola Municipal Sérgio Lúcio Fernandes Amaral, no distrito de Pirapanema, em Muriaé, formaram a única equipe de uma escola municipal de Minas Gerais a conquistar uma vaga na Olimpíada Nacional de História do Brasil. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Zona da Mata no WhatsApp Entre mais de 170 mil estudantes inscritos em todo o país, somente 336 equipes chegaram à última etapa, depois das seis fases on-line. A equipe de Muriaé foi a única escola municipal de Minas Gerais a conquistar a vaga e obteve o primeiro lugar entre todas as escolas públicas da região Sudeste. “Foi inacreditável, uma verdadeira alegria. A gente é de uma escola pequena, mas isso foi muito grande para mim", conta Ana Vitória, emocionada. Ana Vitória, Eduardo e Raíssa estão entre os finalistas da Olimpíada Nacional de História do Brasil Bárbara Silva Borges/Arquivo Pessoal Esforço, sonho e conhecimento Enquanto os ônibus escolares seguem cortando as estradas de terra de Pirapanema, uma nova trilha se abre para Ana, Eduardo e Raíssa. A jornada dos três adolescentes envolveu estudos semanais, encontros on-line e discussões via WhatsApp. Sem computadores em casa, o celular se tornou a principal ferramenta de pesquisa. E mesmo com dificuldades de acesso à internet e rotina intensa na zona rural, eles avançaram, fase após fase, até chegarem à final, que acontece neste final de semana na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo. “Estamos bem ansiosos, animados para fazer a prova e curiosos para saber o tema. Nos preparamos bastante para tentar trazer a medalha de ouro, afirma Eduardo. Raissa também ressaltou a animação em entrevista para a TV Integração. “Estou muito animada para final, com a expectativa muito boa de um bom resultado, mas só a vivência já faz valer a pena.” Entre paleografia, redações e sonhos Estudantes podem trazer medalhe de ouro, prata ou bronze para Muriaé Bárbara Silva Borges/Arquivo pessoal A Olimpíada, organizada pela Unicamp desde 2009, desafia alunos a interpretarem documentos históricos, imagens, mapas e até a transcrever manuscritos do século XIX, o que é conhecido como paleografia. Este ano, o tema central do evento é “Informação: produção, difusão, limites e possibilidades”. Mais do que memorizar datas, os participantes precisam analisar criticamente temas complexos e atuais. A professora dos estudantes, Bárbara Silva Borges, contou em entrevista ao g1 que a iniciativa só foi possível porque a ONHB abriu gratuidade para escolas públicas. Foi o segundo ano da participação da escola, sendo que em 2024, eles pararam na semifinal. “A oportunidade de trabalhar História de forma crítica e atualizada encantou os alunos. Eles abraçaram a proposta com coragem e dedicação”, relembra a professora. Para a final, os estudantes enfrentarão uma prova dissertativa. Eles vão receber um subtema surpresa na proposta geral e terão que escrever um texto crítico, articulando ideias, argumentos e tudo o que aprenderam. A nota definirá o tipo de medalha conquistada pela equipe. “As Olimpíadas de conhecimento no geral são muito importantes porque despertam nos alunos o gosto pelo estudo de uma forma diferente da sala de aula tradicional. Elas desafiam, instigam e mostram que aprender pode ser envolvente. Na História, isso fica ainda mais evidente. Eles analisam documentos, músicas, imagens, tirinhas, e percebem que a disciplina está viva, conectada com o presente”, destacou Bárbara. Estudantes com a professora Bárbara em Muriaé Bárbara Silva Borges/Arquivo Pessoal *estagiária sob supervisão de Victória Jenz. VÍDEOS: veja tudo sobre a Zona da Mata e Campos das Vertentes